HONDA CB 1000R: SINTONIA FINA

Motor sempre disposto e facilidade de pilotar são pontos fortes da naked

Um dos maiores desafios na arte de fazer motocicletas é equilibrar a potência e o torque da maneira mais eficiente (e coerente) com a proposta do modelo. Motos esportivas têm, proporcionalmente, mais potência, pois seu objetivo principal é andar rápido. Já as custom vão no caminho inverso: feitas para passeios tranquilos em velocidades constantes e sem muitas trocas de marcha, privilegiam o torque em baixas rotações.

Poucas motos alcançam a perfeição de oferecer desempenho excepcional em qualquer faixa de giro. É o caso da Honda CB 1.000R, a naked recém-lançada que pegamos para uma avaliação longa. Foram 1.100km rodados numa ida e volta entre São Paulo e Rio e mais um tanto em trecho urbano. Descobrimos incríveis virtudes e que esta máquina faz feliz quem ama a vida em duas rodas.

Na saída de Sampa, pegamos as marginais Pinheiros e Tietê. Logo nos acostumamos à CB 1.000R, pois se trata de uma moto de alta cilindrada, mas com corpo de média. Leve e compacta, é extremamente dócil na pilotagem.

Esse é o primeiro sinal de como o motor de quatro cilindros em linha e 998cm³ - herdado da nervosíssima CB 1.000RR Fireblade - é um instrumento de precisão. Amansado e remapeado, passou dos quase indomáveis 178cv e 11,4kgfm na superbike para 125cv e 10,1kgfm, trabalhando em regimes mais baixos. São muitos números, mas importantíssimos para se entender porque esta CB é tão gostosa de pilotar.

Na Fireblade, este motor exige giro alto para funcionar bem. A pilotagem tem que ser agressiva, com uso constante do câmbio.

Já na CB, o motor foi afinado para ficar cheio o tempo todo. Em sexta (e última) marcha a impressão é que se está em terceira ou quarta. Pode-se andar a 60km/h ou a 120km/h sem engasgos. A qualquer velocidade, a Honda responde de pronto, sem pedir mais nem para cima nem para baixo.

Na prática, isso implica em uma pilotagem mais confortável e menos tensa, e com a agilidade necessária na cidade. Cruzei as marginais mais facilmente do que esperava e logo estava na Via Dutra. Ali, sem exagerar, fui deixando para trás os outros veículos, sempre mais lentos.

A CB 1000R é uma papa-estrada. Come quilômetros de rodovia com desenvoltura e se sai tão bem quanto na cidade, mantendo a mesma disposição constante do motor. Nas ultrapassagens, basta enrolar o cabo para ganhar a velocidade necessária. Reduções raramente são necessárias.

Felizmente pegamos a versão equipada com ABS "combinado" (freie só o dianteiro ou só o traseiro que ambos serão acionados na proporção adequada). Ajuda em situações emergenciais e amplia a sensação de segurança - mas não é passaporte para abusos.

Mas o modelo chama a atenção. A começar pela balança monobraço, algo ainda raríssimo nesse segmento. É algo muito bem-vindo: consertar ou trocar o pneu traseiro torna-se incrivelmente fácil.

O desenho está na moda. A cara de Darth Vader cria um contraste curioso com o jeitão musculoso do motor, que parece corpo de mulher-fruta, e mais ainda com a rabeta fina, semelhante à de uma modelo de passarela, no geral a moto é muito potente e transmite uma sensação unica a quem pilota, tipica sensação de uma naked.

Texto Adaptado de Roberto Dutra| Agência O Globo

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